A leoa Mimi, que atualmente tem 21 anos, passará por um procedimento médico na manhã desta quinta-feira (17), no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica). A avaliação faz parte do acompanhamento da saúde do animal, que vem apresentando alterações de comportamento que precisam ser analisadas pela equipe médica veterinária.
O secretário de Meio Ambiente do Município, Welison Silveira, explicou a necessidade do procedimento e que o acompanhamento médico dos animais do Parque Arruda Câmara é rotina. “A leoa Mimi já chegou ao Parque com uma idade avançada e com algumas comorbidades. Diante do seu quadro clínico, há necessidade de fazer uma análise em que ela será submetida a um procedimento por nossa equipe técnica, acompanhada de outros profissionais, assim como realizamos recentemente também na onça-pintada, onde tudo transcorreu bem”, disse.
Devido às condições de saúde da leoa, o secretário ressalta ainda alguns pontos: “Diante da delicadeza da situação, a gente já antecipa a todos os cidadãos de João Pessoa que o quadro inspira cuidados, mas que nossa equipe técnica está bastante atenta para que nós possamos ter um animal com uma boa qualidade de vida e em condições de saúde normalizadas”, destacou Welison Silveira.
Durante o procedimento, serão realizadas avaliações da cavidade oral e das condições ósseas e musculares de Mimi. Também será feita uma análise clínica geral, incluindo exame de sangue. A partir dos resultados, a equipe poderá avaliar de forma mais detalhada as condições de saúde da leoa e identificar possíveis necessidades de cuidados específicos.
O chefe do Setor de Divisão de Zoológico, Thiago Nery, ressaltou que um dos grandes desafios de trabalhar com animais selvagens de grande porte é a necessidade de anestesiar para realizar qualquer exame. “Muitas vezes precisamos anestesiar o animal para realizar os exames que serviriam para avaliar suas condições antes de um procedimento. Para fazer uma coleta de sangue, ultrassonografia ou eletrocardiograma, por exemplo, é necessário anestesiá-lo, o que representa um risco adicional”, esclareceu.
“No caso da Mimi, estamos falando de um animal idoso e historicamente debilitado, que já faz uso de medicações para controle da dor e proteção das articulações, devido a algumas deficiências articulares. Nesta semana, ela apresentou redução na alimentação e certa fraqueza muscular. Embora essas alterações possam estar associadas à idade avançada, é necessário realizar o manejo para investigar melhor a situação.Esse trabalho será feito por uma equipe multidisciplinar, formada por profissionais de instituições públicas e particulares e veterinários voluntários, que vão realizar o máximo de exames possível durante o período em que o animal estiver anestesiado. O manejo precisa ser rápido, justamente por se tratar de um animal delicado. Como em qualquer procedimento com anestesia geral, existe risco, e a equipe trabalha para minimizar essas possibilidades”, detalhou.
Thiago Nery ainda disse que “neste momento, não podemos afirmar exatamente como está a saúde da Mimi, porque isso dependerá dos resultados dos exames. Por ser uma paciente geriátrica, nosso principal foco é a qualidade de vida. Não vamos rejuvenescer o animal, mas, caso seja identificada uma lesão hepática, por exemplo, ela poderá receber tratamento adequado; se houver um problema articular, vamos avaliar como melhorar essa condição; e, se forem encontrados problemas na cavidade oral, será realizado o tratamento necessário. A ideia é que esse acompanhamento seja contínuo. Muito provavelmente, daqui a cerca de seis meses, a Mimi passará por um novo manejo, mantendo essa frequência de avaliação de acordo com as necessidades dela.”, afirmou Thiago Nery.
Mimi chegou à Bica em 2023, procedente de um zoológico do Piauí. A transferência dela para João Pessoa teve como objetivo proporcionar companhia a ela e para a leoa Leona, que também vivia sozinha na Bica. Mimi foi a última leoa resgatada de circo. Ela viveu grande parte de sua vida sob as lonas de espetáculos itinerantes antes de ser doada, devido a dificuldades financeiras, passando a morar no Bioparque Zoobotânico de Teresina.
Histórico de maus-tratos – Mimi chegou ao zoológico de Teresina muito debilitada e magra, com sequelas físicas decorrentes de anos de exploração e condições inadequadas de animais de circo.
A idade de Mimi também é um fator importante no acompanhamento. Em vida livre, os grandes felinos apresentam expectativa de vida que, em média, gira em torno de 15 anos. Com 21 anos, Mimi é considerada uma leoa idosa e, por isso, necessita de acompanhamento veterinário cuidadoso e periódico, especialmente diante de mudanças observadas em seu comportamento.
Já Leona tem 20 anos. As duas leoas recebem cuidados diários da equipe da Bica, que acompanha individualmente suas condições físicas e comportamentais, garantindo assistência adequada às necessidades de animais que chegaram ao Parque após viverem em condições de cativeiro.
Andrea Alves
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